SAÚDE 4.0: O QUE É E COMO SE PREPARAR PARA ESSA REVOLUÇÃO?
A transformação digital vem impactando diversos setores produtivos
e de serviços. Com a saúde não seria diferente. A chamada saúde
4.0, também chamada de saúde digital, promete revolucionar o
futuro do atendimento em medicina, da prevenção de doenças e do
bem-estar de pacientes.
A tecnologia sempre influenciou a medicina. Contudo, dessa vez o
grande diferencial está no envolvimento do paciente na promoção e
controle de sua saúde. Os avanços, antes restritos ao ambiente
clínico hospitalar, serão sentidos no dia a dia das pessoas, em
suas casas, trabalho e atividades rotineiras.
Por isso, se você quer entender melhor a saúde 4.0 e como ela
impacta o trabalho dos profissionais juntamente ao cuidado dos
pacientes, este texto é para você. Confira!
O que é saúde 4.0?
Trata-se de um conceito bastante abrangente, que envolve a
associação de saúde e tecnologia por meio da integração de
processos, interconectividade das máquinas, computação em nuvem e
Internet das coisas (IoT).
O termo deriva da Quarta Revolução Industrial, que remete à ideia
de colaboração e maior autonomia dos cidadãos sobre sua saúde. É
uma inovação que vai além da automação e computação, que marcaram
a terceira revolução. Também chamada saúde digital, essa área faz
uso da tecnologia da informação no cuidado com o paciente e
abrange a realização de pesquisas, promoção de aprendizagem,
treinamentos e acompanhamento de doenças.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um dos grandes
objetivos da saúde 4.0 é o monitoramento da saúde populacional, o
que corrobora a ideia de trazer os melhores recursos médicos, com
a intenção de prevenir ao invés de remediar.
Nesse sentido, 480 empresas brasileiras fundaram a Aliança
Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde. Segundo a ABIIS, a
saúde digital é o setor que engloba produtos e serviços que, a
partir da tecnologia da informação, possibilitam
automonitoramento, educação, diagnóstico e atendimento remoto.
Quais as principais tendências tecnológicas na área da
saúde?
Historicamente, a evolução da medicina sempre se deu em função das
inovações tecnológicas a partir da invenção de equipamentos e
sistemas, por exemplo. Mais recentemente, com o advento da
internet, novas possibilidades têm ampliado o acesso à saúde e,
principalmente, à prevenção de doenças e promoção de bem-estar.
Hoje, diversas tecnologias são ao mesmo tempo realidade e
tendência, como os wearables, a telemedicina e o big data. A
cirurgia robótica, por exemplo, já tem proporcionado inúmeros
benefícios, como maior precisão, cortes mínimos e cicatrizes
menores.
Para os próximos anos, podemos esperar que as inovações permitam a
impressão de órgãos em 3D para transplantes e a edição genética,
visando a cura de doenças. Além disso, boa parte das ações na área
consistem em unificar informações da população em um grande banco
de dados — consultas, exames, medicamentos etc.
Quais os benefícios trazidos pela saúde digital?
A saúde 4.0 influenciará o futuro da medicina, especialmente por
promover uma transformação social, trazendo o paciente para um
papel mais ativo no monitoramento de sua saúde. O conceito envolve
uma abordagem multidisciplinar e global, proporcionando benefícios
tanto para o enfermo quanto para os profissionais envolvidos.
Digitalização de dados
Com a informatização dos hospitais, os prontuários eletrônicos
agilizam consultas, minimizam erros de digitação e identificação
de pacientes, resguardam a privacidade, além de garantir mais
segurança ao atendimento.
Dados como histórico de internações, medicamentos administrados e
resultados de exames são armazenados em uma única plataforma e
atualizados em tempo real. Com isso, possibilitam um diagnóstico
mais rápido e efetivo, além de ser cruciais em situações de
emergência.
Computação em nuvem
Graças à computação em nuvem, os prontuários eletrônicos podem ser
acessados de qualquer lugar, inclusive remotamente, pela internet.
A telemedicina oferece comodidade ao médico e paciente, além de
ampliar o acesso aos serviços de saúde.
Exames mais elaborados podem ser oferecidos em localidades menos
acessíveis, de modo que o laudo é feito remotamente por médicos
especialistas. Da mesma maneira, um atendimento de emergência pode
ser realizado com apoio do médico responsável pelo caso, mesmo sem
a sua presença no hospital.
Integração nos processos big data
Trata-se do compartilhamento de informações sobre pacientes e
populações, oferecendo apoio ao diagnóstico e reduzindo o custo de
pesquisas. Por meio da integração dos processos que integram as
etapas de atendimento — da marcação da consulta à prescrição do
tratamento — um grande volume de dados é gerado, processado e
interpretado. Essa tecnologia permite identificar características
semelhantes em um grupo de pessoas.
Aplicativos e dispositivos
Outro grande benefício da saúde 4.0 é o monitoramento e auxílio ao
paciente na prevenção e controle de doenças crônicas. É o caso dos
dispositivos vestíveis (wearables), que contam com sensores que
monitoram e armazenam parâmetros como frequência cardíaca, pressão
arterial, taxa de glicose etc.
Além disso, aplicativos permitem a análise comparativa com
resultados anteriores, agilizam a marcação de consultas e enviam
lembretes e notificações sobre medicamentos, exames e afins.
Quais são os desafios da inovação nessa área?
As iniciativas em saúde digital encontram obstáculos
principalmente em duas frentes. São elas a regulamentação e o
investimento. Com a facilidade de acesso à informação e o alto
compartilhamento entre pessoas e organizações, os aplicativos
relacionados à saúde se proliferam.
Embora muitos deles tenham base em informações verídicas, outros
disseminam recomendações infundadas e prejudiciais. Nesse sentido,
a OMS propôs em 2018 um conjunto de requisições, a WHA 71.7
(Digital Health), para fortalecer iniciativas na área. No Brasil,
o Ministério da Saúde já havia lançado em 2017, por meio da
Resolução CIT nº 19, a sua estratégia de saúde — digiSUS.
No entanto, aqui ainda há uma defasagem entre mercado e produção
científica nas universidades, sobretudo em razão das dificuldades
para investimentos em dispositivos mais modernos.
Além disso, podemos citar outro grande desafio, a falta de
profissionais capacitados na área. Por meio de tecnologias como
computação em nuvem, big data e internet das coisas, a saúde
digital vem integrando processos e estreitando laços entre
pacientes e profissionais, bem como possibilitando o intercâmbio
de informações. Isso favorece uma abordagem multidisciplinar e um
acompanhamento mais efetivo da saúde pública global.
Como vimos, a saúde 4.0 vem revolucionando o atendimento ao
paciente e o cuidado com o bem-estar, o envolvendo mais o e
trazendo os procedimentos, antes realizados apenas dentro dos
consultórios, para a sua rotina.
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